Hoje na CBN uma médica contava a seguinte história: certa vez, quando era residente, atendeu um homem que havia sido atropelado. O acidente havia sido muito grave e, a despeito dos esforços da equipe médica, o homem não sobreviveu. Quando procuraram saber sua identidade, descobriram que ele não tinha documentos. Então um paramédico (acho que era isso) apareceu com um pacote na mão e disse que aquilo era a única coisa que o homem carregava no momento do acidente. (Não é preciso dizer que se ali não houvesse nenhuma indicação da identidade do homem, ele poderia ser enterrado como indigente.) Naturalmente, abriram o pacote. E o que havia dentro? Fraldas, apenas fraldas. A médica disse que, naquele momento, desabou. Essa foi a expressão dela. Não é preciso dizer mais, nem por quê. Quando pensei em contar a história, perguntei a mim mesmo: por que devo falar disso? Não sei ao certo. Talvez para imaginar que de alguma forma a mulher daquele homem soube do que aconteceu, e que depois de toda a angústia por que passou (Onde andará ele, meu Deus? O que será que houve? Será que me deixou? Será que...), livre enfim da dor da incerteza (mas entregue a outras), chegou-se ao seu filho e, recompondo-lhe aquela teimosa mecha de cabelos que insistia em cair-lhe sobre a testa (imagino que era um garoto, e que já estava mais crescido), contou-lhe sobre o bom pai que ele não chegara a conhecer. Um homem honrado, que tinha cumprido o seu dever. Comprou as fraldas que tinha de comprar. E estava voltando para casa.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
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