Não sei se me lês, leitor, mas me sinto compelido a desejar-te feliz ano novo. Assim: Feliz Ano Novo! Não se há de dar adeuses do tipo já-vai-tarde ao ano que termina, pois o coitado não foi nem bom nem mau – apenas fez o que tinha que fazer: passou dia após dia, mês após mês. Por outro lado, há que se saudar com grandes esperanças o ano que se inicia, pois ele é uma oportunidade. Não nos enganemos, porém: não é ele que vai resolver nossa vida. É nele que resolveremos nossa vida, dia após dia, mês após mês. Façamos, pois, nossa dieta e nossos exercícios; honremos o nosso trabalho; amemos as nossas esposas, maridos, namorados e namoradas; estudemos um pouco mais; sejamos pacientes para com todos e sobretudo para conosco mesmos. E nesse ponto, faço minhas as palavras de Rubem Braga, o mestre da crônica brasileira: “E se entre meus leitores há alguma pessoa que na passagem do ano teve apenas um amargo encontro consigo mesmo, e viveu esse instante na solidão, na tristeza, na desesperança, no sofrimento, ou apenas no odioso tédio, que a esse alguém me seja permitido dizer: Vinde. Vamos tocar janeiro, vamos por fevereiro e março e abril e maio, e tudo que vier; durante o ano a gente esquece, e se esquece; é menos mal. E às vezes, ao dobrar uma semana ou quinzena, às vezes dá uma aragem. Dá, sim; dá, e com sombra e água fresca. E quem vo-lo diz é quem já pegou muito sol nos desertos e muito mormaço nas charnecas da existência. Coragem, a Terra está rolando; vosso mal terá cura. E se não tiver, refleti que no fim todos passam e tudo passa; o fim é um grande sossego e um imenso perdão”
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
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