Porque hoje choveu eu lembrei do livro Cléo e Daniel, de Roberto Freire. Na verdade, lembro de pouca coisa do enredo. Sei que era uma história de amor atormentada, se não me engano entre dois adolescentes. Havia no livro um ar de urgência, algo de trágico cercando os dois amantes. E por que eu relaciono o livro com a chuva? Eu era adolescente e morava em Arapiraca. Um final de tarde – eu estava lendo o livro em casa – caiu uma forte chuva sobre a cidade. Um toró que durou poucos minutos, mas que foi suficiente para alagar algumas ruas. Depois que a chuva passou, o céu adquiriu um tom diferente e ficou ainda mais dourado. Antes, quando a chuva começou, eu havia fechado o livro e ficado à janela, contemplativo; aí, quando parou de chover, eu pus o livro de lado (acho que foi o que fiz) e fui andar pelas ruas. Estava tudo tão bonito! As calçadas molhadas, as telhas pingando, as pessoas pulando poças! Acho que o fato de estar lendo o livro (porque esse tipo de coisa acontece, e só quem lê sabe o quanto a sensação é intensa) influenciou o meu estado de espírito. Eu havia saído do livro num tal estado de irrealidade, tão envolvido naquela história de amor, que só podia ver o mundo através das cores do romance. Então misturei tudo e guardei bem na memória. Até hoje, sempre que chove (tudo bem, não é sempre, mas é quase), é a imagem desta tarde que me vem à lembrança. E Cléo e Daniel, e aquele amor louco, aquela história carregada de eletricidade, está definitivamente ligado a ela.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
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