terça-feira, 2 de dezembro de 2008

LOBO ANTUNES


O problema do Lobo Antunes (António Lobo Antunes, que para alguns é o maior escritor vivo da língua portuguesa, e o Saramago que se dane) é que ele cansa. Abra uma página qualquer e você vai se encantar com uma prosa que é pura poesia. O problema é que você vai lendo, lendo, vai acumulando (ou melhor, o Lobo Antunes vai amontoando sobre você) imagens poéticas, frases que se repetem, vêm e vão, e aí começam a aparecer as vozes que conduzem a história, cada uma delas narrando os fatos sob o seu ponto de vista, e aí você vai se perguntando onde é que isso tudo vai dar, e por que ele (o Lobo Antunes) não chega logo a uma conclusão, e por que fulano de tal, que quase não desempenhou papel nenhum na história (foi o amante da filha bastarda do ministro, sei lá) merece todo um capítulo, igualmente poético e lindo, mas desnecessário, pois bastava dizer que ele tinha sido amante dela e pronto, e aí... você cansa. Sai pra lá! Eu estava lendo o Manual dos Inquisidores, e comecei entusiasmadíssimo. Li as primeiras cem páginas num pulo, as cinqüenta seguintes com disposição, as outras cinqüenta com esforço, e as cinqüenta finais (para mim) com desespero. E ainda faltavam pouco mais de cem. Larguei mão. Um cansaço invencível, um abuso. Que se dane o Lobo Antunes. Se escrevesse contos, perfeito. Mas não: adora falar, adora o próprio estilo, e faz calhamaços de quatrocentas, quinhentas, seiscentas páginas. Resultado: não quero nem tentar mais. Eu já tinha lido o A Ordem Natural das Coisas. Não tinha achado ruim, só tinha achado... cansativo. Acreditei que o Manual seria melhor, e de certa forma (até onde agüentei) foi, mas é irremediavelmente chato. Bem. Repus o livro na estante. Curioso: estão lado a lado o Lobo Antunes e o Saramago. Do Lobo Antunes tenho dois livros; do Saramago, dez. E já li todos.

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