quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

SOBRE A TOLICE

Não, não é apropriado, eu sei. O espírito natalino não aconselha. A fraternidade entre os homens não recomenda. Mas não posso. Não, não posso deixar de falar do que às vezes – não sempre, mas às vezes – me angustia. A tolice. Já citei neste mesmo blog uma das frases de que mais gosto (Cheguei a citá-la no original.) É de Schiller: “Contra a tolice lutam os próprios deuses em vão.” A tolice me incomoda. Aliás, a inconsciência a respeito da própria tolice é que me incomoda. Sou tolo, e tenho consciência de que sou tolo durante a maior parte do tempo (às vezes tenho cinco minutos de brilhantismo, mas nunca há ninguém por perto para comprovar), e o que me angustia é precisamente isso – é que haja uma outra espécie de tolo, uma espécie absolutamente inconsciente de sua própria tolice, e mais: uma espécie que se orgulha da própria tolice, pois a toma por sabedoria. Temos aí, aliás, um índice seguro de determinação: a tolice e a arrogância andam juntas. Nelson Rodrigues já havia apontado, com palavras mais duras do que as minhas, que a ênfase, o gesto e o punho cerrado são as armas dos tolos.

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