Fico imaginando por que não fecharam ainda este Bilhete. Tanto tempo abandonado... e eu que fui para tão longe! Na verdade, acho que ainda não o fecharam porque nunca souberam que existia. Mas afinal, quem é que o ia fechar? Quem será este demiurgo, esta entidade que permite que os blogs se abram e os fecha quando eles não mais convêm, ou quando foram abandonados? Talvez não haja ninguém por trás da blogosfera. Talvez a blogosfera seja apenas superfície. De qualquer modo, é bom saber que ele ainda está aqui, este Bilhete para a Distância, de vida tão curta. É bom poder escrever nele tendo a certeza de que ninguém vai me ler. Se era abandonado quando eu o divulgava (apenas para os amigos, que o acessavam com certa disciplina comovente), agora então... Por um momento penso (acabei de pensar) em retomá-lo, voltar a escrever sem dizer a ninguém. Seria o meu segredo. Um diário mantido em segredo... em plena Internet. Que ironia! Não dizem que o melhor lugar para esconder as coisas é onde se imagina que elas estarão mais expostas? Talvez seja uma boa idéia: colocar alguma coisa aqui todo dia, escrever não mais sobre lugares distantes, a que nunca fui ou a que nunca vou, ou que apenas em sonho ou imaginação visitei. Escrever sobre o que me der na telha: uma frase talvez, uma impressão, um pensamento, qualquer coisa. Mantenho o mesmo nome. Tudo é distância. A medida poupa-me o trabalho de criar um outro blog, uma outra cara, novos tipos, tudo. É isso. Vou voltar a escrever. E se um dia eu cansar de novo, ou se se me esgotarem os assuntos, como sói acontecer (este “sói” é ótimo), abandono-o de novo. Ninguém o vê, ninguém o viu. Fica assim mesmo, meio torto, canhestro e experimental: basta ver, como sinal dos novos tempos, a liberdade com que uso o “sói”, que é ótimo, e o “se se me esgotarem”, este pernosticismo que eu não escreveria jamais no Bilhete de antigamente.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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