Um poema não se explica – quem quiser que o entenda, ou melhor, que o sinta. Pois poema também não é para ser entendido. O poema tem efeito retardado (alguém já disse isso). Ele é uma bomba-relógio. Ele não explode agora, mas depois. Você lê o poema, acha bonito e tal. Só que às vezes ele não acontece para você naquele momento. Ele acontece depois. E aí você lembra: Caramba, o poema! Agora mesmo me aconteceu de aplicar à vida um verso do Drummond: “Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus./Tempo de absoluta depuração.” O bom é que eu não preciso lhe explicar por que o apliquei à vida: a minha maneira de usar o poema talvez não interesse a você. Você tem ou certamente vai ter a sua própria aplicação para o verso. Pode inclusive acontecer de você, agora, não achar nada demais nele. Mas lhe dou um conselho: guarde-o bem na memória, pois vai chegar uma hora em que você vai usá-lo. E ainda vai dizer: Rapaz, o Drummond tinha razão! Quer outro verso pra guardar, com possível aplicação no futuro? Vai este, do Quintana: “A súbita, a dolorosa alegria de um espantalho inútil/Aonde viessem pousar os passarinhos!”
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
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