Nada de pipoca nem de comidinhas. Cinema Paradiso exige atenção integral, que não pode ser dividida com mastigações impertinentes ou coisas semelhantes. É possível beber vinho, levemente resfriado. Mas só. Afaste os perguntadores profissionais, aqueles que ficam o tempo todo: “Ih, meu Deus, que será que vai acontecer?”, ou, “Quem é aquela mulher que apareceu agora?”. Esses podem assistir Duro de Matar. Na verdade, Cinema Paradiso é um filme para se ver só, ou a dois. Mas pode haver mais gente na sala, desde que aos espectadores seja permitido dizer apenas (e baixinho) “Oh” ou “Ah”, ou ainda suspirar. É preciso também desligar o telefone ou tirá-lo do gancho: você não vai querer ser incomodado, eu garanto. Luzes desligadas, por favor. Se você tiver um bom sistema de som, coloque-o em volume razoável, pois a trilha sonora foi composta no céu e só veio à terra com uma autorização expressa de Deus. Por fim, e talvez o mais importante: preste atenção no filme, tenha muito respeito por ele e por você mesmo, pois esta é uma experiência única, que só vai engrandecê-lo. Ao final você terá o direito, o justo direito de se congratular.
P.S.: Ainda sobre a trilha sonora. Se você tiver um carro com som e ar-condicionado, compre a trilha. Quando você coloca o CD e levanta os vidros, o mundo lá fora vira um filme. Tudo fica bonito: a criança correndo, o vento nos cabelos de uma mulher, o homem em silêncio. Mesmo um cachorro se coçando é uma experiência emocionante. E não estou brincando.
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