quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

TÍTULOS


Eu tenho dois ótimos títulos para contos. Acho que não são adequados para romances. No máximo uma novela, vá lá. Para contos são perfeitos. Sinceramente, acho que são imbatíveis. Talvez eu devesse ganhar algum prêmio por eles, só por eles. O primeiro é Quatro Gatos Pingados. Diga aí. Maravilhoso. A primeira imagem que me vem à cabeça, quando penso no título, são quatro gatos num cinema vazio. Ah, e os gatos estão sentadinhos nas cadeiras, assistindo a um filme qualquer (ainda não pensei em qual seja, mas tem que ser um que evoque metáforas profundas). Quatro gatos pingados. Na imagem que criei há ainda uma certa névoa no cinema, talvez fumaça de cigarro, alguma coisa assim. Mais que isso não há. Não creio que eu tenha algum dia coragem de escrever esse conto. Ele fatalmente seria inferior ao título. E não porque o conto fosse meu: qualquer um falharia em dar forma e conteúdo a este título maravilhoso. O outro título: Mal e Porcamente. Diga aí. Maravilhoso também. Eu imagino dois sujeitos, uma dupla de bandidos talvez, mas daqueles meio ultrapassados, românticos, que não matam nem ferem ninguém. E os dois viveriam fazendo trapalhadas. Mal e Porcamente. Maravilhoso. Tão bom que também não permite desenvolvimento. Impossível escrever sua história sem fracassar. Na verdade, os dois títulos se bastam. Neles já está dito tudo, e o mais seria redundância. Os dois têm até uma certa carga poética, um misterioso poder de sugestão... Já sei o que você deve estar pensando: são apenas expressões chulas, frases feitas. Está certo, são. Mas e daí? Ninguém nunca as elevou à categoria de títulos. Fui eu que as catei na vala comum e as transformei em imagens vivas, em labirintos de possibilidades. Se no final da vida eu nunca chegar a fazer nada que preste, meu consolo será este: terei criado dois títulos dignos de figurar em qualquer antologia... de títulos. Merecidamente.

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