RUAS
O meu mundo era a minha rua. Certa noite os adultos me colocaram num carro: iam levar-me, não sei por que motivo (pois nunca haviam feito isso antes), a um tradicional bar da cidade. Deslumbrado com as ruas pelas quais passávamos, estive silencioso todo o tempo. Foi como uma viagem ao outro lado do mundo, de tão distante que era. Lá do outro lado, porém, achei tudo feio, escuro e barulhento. Os adultos me deixaram tomar um guaraná e, do nada (pelo menos para a minha cabeça de criança), decidiram voltar. Mantive-me silencioso durante toda a volta, admirando pela janela do carro aquela nova geografia. O bar, que vim a freqüentar muitas e muitas vezes na adolescência e na fase adulta, chamava-se (chama-se, pois agüenta-se até hoje) Bar do Paulo – em homenagem ao “seu” Paulo, o proprietário. Mas na época o bar não era importante. Importante era o caminho que se percorria para chegar lá.
Um comentário:
Ô, bicho, tu ainda tá vivo?
Postar um comentário