sábado, 29 de março de 2008

OS LUGARES DA INFÂNCIA


A MINHA RUA


A minha rua era um campo de futebol. Depois da final da Copa do Mundo de 86 – aquela em que o Maradona tomou a bola para si e não permitiu que ninguém se atrevesse com ela –, eu e meus amigos entramos em campo e fizemos um dos melhores jogos de nossas vidas, só para mostrar ao Maradona que as coisas não eram como ele estava pensando. Mas mesmo antes de eu saber quem era Don Diego (mas não antes de saber quem era Pelé), eu já jogava bola na minha rua – quer dizer, no meu campo de futebol. Os jogos eram sempre à noite, com ou sem chuva. E o melhor, o melhor de tudo, era quando eu conseguia driblar minha mãe e, depois das partidas, dormir sem tomar banho, completamente sujo. Eram lances de craque, raríssimos.

Um comentário:

Carlos Nealdo disse...

Nelson Rodrigues dizia - vendo o Garrincha jogar - que um drible bonito era melhor que um gol. E um drible bonito, dado num adversário que se deve respeito, mereceria placa em estádio, tal qual gol raro. Vou mais além. Para mim, um drible bem dado é melhor que um gol, que um fiesta, que qualquer outro carro nacional, quiçá importado. E um drible bonito dado na mãe, meu amigo, é digno de seu autor figurar em nome de rua. Parabéns pelo belo texto.