AS REVISTAS EM QUADRINHOS
Claro que as revistas em quadrinhos – os gibis – são lugares da infância. Eu costumava lê-las na rede da varanda da minha casa, e esse ritual era especialmente bom quando estava chovendo: a chuva caindo lá fora e eu lentamente, bem len-ta-men-te, lendo a tarde toda. Mas eu também gostava de ler no meu quarto: normalmente comprava as revistas à tarde (corria pelas ruas, a mesada no bolso, ansioso para chegar à banca de revista – que, por sinal, era um lugar absolutamente sagrado) mas quase sempre esperava a noite chegar. Então me trancava e partia para outros lugares. Ia para Gotham City, para Patópolis ou para a Ciméria. Enfrentava inteligências criminosas, buscava tesouros escondidos, engalfinhava-me com selvagens neolíticos – e vencia sempre. Só voltava à realidade para dormir, e ainda assim para sonhar com a próxima saga, a próxima aventura, em qualquer um dos muitos lugares distantes que eu conhecia.
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