A arte tem dessas coisas. Fui ao cinema com um amigo ver Romance, do Guel Arraes. Gostei. É um filme dentro de um filme. Minto. Uma peça dentro de um filme, ou uma vida dentro de uma peça, e o filme mostrando as duas coisas. Como eu disse, a arte tem dessas coisas. Com ela a gente (ou quem sabe fazê-la) mostra a vida e a arte ao mesmo tempo, talvez porque as duas sejam uma coisa só, ou melhor: talvez porque a arte mostre a vida, mesmo que nós não a reconheçamos e que a tomemos por ficção. No caso do filme, a gente sai do cinema pensando em como deve ter sido bom trabalhar nele. Bem. O que eu queria dizer era precisamente isto: o prazer da criação estética deve ser o mesmo, não importa se no cinema, na música, na pintura ou na literatura. Criar uma obra de arte, já disseram alguns, é atuar como um deus. O criador é um demiurgo – e o ato da criação, no final das contas, é uma experiência quase religiosa.